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As Próximas Existências e a Latência ou não Substancialidade

Se fôssemos abordar em que estado se manifesta a vida após a morte, em primeiro lugar, no Budismo tudo o que existe é dividido em duas partes classificadas como seres sensíveis e seres insensíveis.

Os seres sensíveis são como os seres humanos e animais, sendo possuidores de sentimentos, atividade espiritual, capacidade de raciocínio. Seres insensíveis são aqueles que não possuem essas capacidades de ação.

Isto é similar à divisão existente nas ciências sobre as espécies como sendo seres animados e inanimados, porém, o conceito é ligeiramente diferente, sendo que as espécies inanimadas incluem todos os seres insensíveis. Entretanto, seres animados como as plantas são classificadas com insensíveis, assim como as espécies como as amebas ou microorganismos embora sejam seres animados são classificados como insensíveis.

Portanto a linha de separação entre os seres sensíveis e insensíveis, com relação à linha de separação entre os seres animados e inanimados, é mais excludente que a linha de separação dos seres animados.

Bem, separando inicialmente em dois grandes grupos só existiriam seres sensíveis e insensíveis. A partir daí se a questão é o que seria da vida dos seres sensíveis, que são os seres humanos após a morte, concluiremos que deixando de ser um ser sensível, ele só pode se tornar insensível. Isto é, o ser humano transforma-se de ser sensível em insensível, e é a isto que se denomina de morte.

Devido à morte a vida como ser sensível cessa, transforma-se num ser insensível, e nesta ocasião, dependendo do tipo de vida, do carma acumulado durante essa vida, resultará que o ser estará sujeito a um determinado tipo de manifestação dos efeitos decorrentes, diferindo caso a caso.

Exemplificando, a vida das pessoas que nesta existência praticaram firmemente os exercícios Budistas e conseguiram atingir a Iluminação, na transição entre a vida e a morte, mesmo que se diga que transformam-se de seres sensíveis em insensíveis, como ficariam as suas vidas? As suas vidas fundem-se ao corpo do Gohonzon do Nam-Myoho-Rengue-Kyo revelado em madeira (a incorporação do Estado de Buda). A sua vida funde-se ao Gohonzon, fazendo Dele o seu corpo sensível.

Outra vez, como ficariam aqueles que em vida acumularam calúnias à Lei e caíram no Inferno após a morte? Conforme o dito que o “Inferno reside no metal fundente”, a vida após a morte funde-se ao metal fundente no fundo da Grande Terra, podendo-se dizer que faz deste metal o seu corpo.

Desta forma, dependendo das causas acumuladas durante (existência, os seres transformam-se de sensíveis em insensíveis colhendo cada qual os correspondentes efeitos).

Agora, se fôssemos explanar sobre o que resta após a morte, ou seja, a situação da pessoa com relação ao cadáver ou às ossadas, poderíamos dizer que esses restos mortais ou as suas ossadas guardam a relação maior e mais profunda com a vida do falecido.

Portanto, se o falecido conseguiu atingir a Iluminação os seus restos mortais que guardam a maior e mais profunda relação com a vida do falecido apresenta um aspecto de Iluminação. Ainda, ao contrário, se o falecido caiu no Inferno e ali sofre, os restos mortais revelam o aspecto de Inferno. De forma alguma, a vida após a morte reside nos restos mortais ou nas ossadas.

Bem, se enquanto estamos vivos formos questionados sobre onde se encontra a nossa vida, podemos dizer que está aqui [no nosso corpo]. Todavia, após nos transformarmos em seres insensíveis, sem o poder de raciocínio ou a atividade espiritual, torna-se muito difícil dizer com clareza onde se encontram as nossas vidas. Mesmo existindo, não é possível com certeza definir onde se encontra, nem sequer pegá-lo. Esse estado se denomina no Budismo de latência ou não-substância. Quer dizer, um estado que se não é existente também não é inexistente, ainda, se é existente também é inexistente, é chamado de latência ou não-substância.

Dentro do pensamento das filosofias ocidentais, só se admitem o existir ou não existir. Dentro do Budismo, mesmo que algo fundamentalmente exista pode não ser possível pegá-lo. Mesmo que algo seja referido como inexistente por não ser possível apanhá-lo como forma, de fato existe. Um conceito como este é o que consta da pregação como latência ou não-substância. Desta forma, consta das pregações que a vida após a morte (a vida que se transformou de sensível para insensível) existe no estado de latência ou não-substância.

Desde a antiguidade, dentro dos conceitos populares existe a pregação sobre o espírito, ou seja, que após a morte o espírito deixa o corpo, passando a existir vagando no espaço. Esta forma de tratar a vida existente após a morte defende que ela persiste na forma sensível. O que o Budismo prego como latência ou não-substância é completamente diferente.

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